
Isso aqui sem dúvidas não é um transtorno, é apenas um desabafo sem tamanha relevância que teria artistas como Gregório Duvivier ou Rafinha Bastos. É apenas um desabafo de um homem como outro qualquer, com uma opinião como outra qualquer.
Eu conheci uma menina a um tempo atrás. Não foi no jazz ou em uma balada alternativa. Foi por uma interação no Twitter. De certa forma, é engraçado comparar as histórias e ver a diferença das gerações. O nome dela é Paula. Puxei um assunto aleatório pela DM do Twitter de como ela parecia uma atriz de Orange Is The New Black. Conversamos por algumas semanas e decidimos que deveríamos nos conhecer. Marcamos em uma sexta-feira ás sete horas da noite, em um cinema da minha cidade, para assistir Procurando Dory. Se eu quisesse enfatizar que o amor é perfeito, eu diria que aquele dia teria sido o melhor da minha vida. E adivinha? Não foi. Foi começando pela preocupação com uma nota de prova na escola, de manhã, seguida por uma tarde cansativa resolvendo esses probleminhas pequenos porém irritantes que surgem no cotidiano. Chegando no fim de tarde, arrumei minha mochila e fui para o meu treino de Jiu-Jitsu. Treinando, olhei para o relógio e eram seis e quarenta e cinco. Pedi permissão para sair do tatame e corri para o chuveiro da academia. No momento em que eu estava de toalha, todos os sentimentos se juntaram de uma vez só: a pressão de correr para trocar de roupa e o nervosismo de conhecer alguém que eu só tinha visto algumas fotos no Instagram.
Chegando lá com cinco minutos atrasado, forcei a vista para tentar achar quem eu procurava. Ser míope só tem desvantagens, desconheço qualquer vantagem. Não achei ninguém, eu via tudo embaçado sem óculos. Quando eu peguei no celular para ligar pra ela, uma menina de um metro e sessenta me chamou e disse um ‘’Oi, Mateus’’. Eu, com o meu um metro e noventa e quatro de altura, olhei pra baixo. Fiquei meio bobo. Era a menina com o sorriso mais lindo que eu já conhecera. Ela era linda. Eu disse oi e seguimos para a sessão do filme. Era incrível o jeito que ela puxava assunto e era articulada. Ficamos naquela noite. Também ficamos mais algumas vezes, até que eu comecei a gostar dela. Ela tem uma tatuagem de um sol na nuca que, particularmente, combina bastante com a energia que ela transmite. É uma menina cheia de qualidades e, acredite se quiser, até os defeitos dela me conquistam. Ela me ensinou a gostar de futebol, me ensinou a ser mais positivo e o pior de todos: me ensinou a ouvir pagode. Mas tudo bem, acontece. É impossível ouvir algumas músicas e eu não me lembrar dela. Bilhete, Closer, I Miss You do Blink 182 e o clichê Oh My Love do John Lennon. Se passaram alguns meses e algumas semanas, até que o verbo gostar mudou para amar. Era uma mudança forte e, por minha sorte, recíproca. Por mais que muitos achem o amor bobo, ele torna a vida de quem ama colorida. É legal você acordar e ter aquela notificação dizendo ‘’Bom dia, eu te amo.’’. É maravilhoso poder-se confortar em alguém.
Não sei se ela é o amor da minha vida, não sei se vamos durar anos ou apenas meses. Mas eu sei que o que acontece entre a gente, é amor.
Uma vez uma amiga me disse que um ‘’eu amo você’’ depende apenas de tempo. Eu discordo totalmente. O amor depende da sua intensidade e necessidade, ignorando totalmente o tempo.
E discordando do Rafinha, em que vários pontos ele ressalta que amar não é o conto-de-fadas que o Gregório descreve, eu digo: o amor é lindo. E apenas, mas apenas a pessoa que ama, sabe o jeito que é.
Amar é ser surpreendido todo dia. Amar é ficar fascinado com a pessoa como se fosse a primeira vez em que vê-la. Amar é evitar cada briga para conseguir manter a paz e a estabilidade de um relacionamento. Amar realmente não tem trilha sonora, mas quem nunca dedicou uma música favorita da playlist para toda vez que tocar, vir na cabeça memórias da pessoa?
Não acho que amar tenha um rótulo ou manual de instruções. Cada um ama da maneira que sabe, mas no final, o jeito do amor é universal.
Se você encontra alguém que te faz bem e te transborda de amor, dê valor. Aliás as atrações físicas são muito comuns. Já as atrações mentais, meu amigo, são raras.






